Neyse Patrícia do Nascimento Mendes é Coordenadora do Programa de Residência Multiprofissional em Cardiologia e Coordenadora do Projeto Extensão de Acompanhamento Multiprofissional no Pré e Pós Operatório de Cirurgia Cardíaca no Hospital Universitário Onofre Lopes . Mestre em Enfermagem pela UFRN – (2010), Especialista em Cardiologia pela Residência em cardiologia pelo Hospital de Servidores do Estado de PE (2002) e graduada em Enfermagem pela UFRN (1996).
O Programa de Residência Multiprofissional em Saúde do HUOL constitui um curso de Pós-graduação lato sensu, caracterizado por treinamento em serviço, orientado pelos princípios e diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS). Tem como propósito capacitar o profissional para o cuidado integral da saúde através de articulação das ações de promoção, prevenção e reabilitação, com vista à integralidade da atenção, no contexto dos hospitais universitários, articulados com a rede do SUS, preservando as especificidades dos campos de saberes das diversas profissões. O programa tem a duração de 2 anos, cuja carga horária total é destinada à atividades teóricas e às atividades práticas, cumpridas em 60 horas semanais em regime de dedicação exclusiva.
No Hospital Universitário Onofre Lopes (HUOL) O Programa de Residência Multiprofissional contempla sete (7) profissões da área de saúde: Enfermagem, Farmácia, Fisioterapia, Nutrição, Odontologia, Psicologia e Serviço Social.
O processo seletivo é realizado anualmente pela Comissão Permanente de Vestibular (COMPERVE) e as Coordenações são responsáveis por todos os processos seletivos de residência multiprofissional, que ocorrem todos os anos; Neyse Patrícia, como Coordenadora da Residência Multiprofissional em Cardiologia organiza e atualiza o Sistema de Gestão de Atividades Acadêmicas (SIGAA) dos residentes; orienta na produção de artigos e trabalhos acadêmicos; oferece encontros para as discussões de casos clínicos que os alunos se deparam ao longo da prática nos hospitais e Unidades Básicas de Saúde; dá aulas; oferece cursos e discussões de artigos; faz visita às enfermarias e organiza os eixos teóricos comuns [de todos as áreas] e os específicos [para cada curso], que vão guiar a melhor aprendizagem de todos os futuros profissionais.
Neyse Patrícia fez seu mestrado em Sistematização da Assistência em Enfermagem, em 2009. Na época, o Hospital Universitário Onofre Lopes ainda não dispunha de registro do processo de cuidado por parte da Enfermagem, fato esse que prejudicava o acompanhamento dos resultados e a mensuração de dados, além do registro de evolução dos casos. Neyse foi pioneira no HUOL ao se capacitar nesta área e trazer a discussão sobre a necessidade de se sistematizar a assistência.
Em todas as instituições de saúde é crucial ter o controle e entender o fluxo de trabalho das equipes. A metodologia utilizada é a aplicação da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE). Ela é organizada em cinco etapas relacionadas, interdependentes e recorrentes. Seu objetivo é a operacionalização dos processos de enfermagem no que diz respeito ao acompanhamento dos pacientes. Com a utilização desta metodologia, consegue-se analisar as informações obtidas, definir padrões e resultados decorrentes das condutas definidas. A partir das informações da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), a equipe realiza as ações ou intervenções determinadas na etapa do Planejamento de Enfermagem. São atividades que podem ir desde uma administração de medicação até auxiliar ou realizar cuidados específicos, como os de higiene pessoal do paciente, ou mensurar sinais vitais específicos e acrescentá-los no Prontuário Eletrônico do Paciente (PEP).
Após seu mestrado, Neyse criou um formulário a ser utilizado pela equipe do HUOL, que foi adotado e é utilizado até os dias de hoje. Ela também criou um curso sobre Processo de Enfermagem, onde ensinava utilizar o formulário e explicava a importância. Através da adoção da Sistematização, Neyse conseguiu perceber que os enfermeiros eram insuficientes para atender os pacientes, e provar a necessidade de aumento do número de pessoal, além de melhorar a organização e mudança na cultura hospitalar.
Neyse, mesmo se dedicando à área acadêmica, não esconde a paixão pela enfermagem clínica, onde atua até hoje, através de seu Projeto de Extensão em Cirurgia Cardíaca. Ela conta, que desde seu primeiro contato como Enfermeira Assistencial em Saúde da Família, nunca deixou de fazer atendimentos e coleciona pacientes que se tornaram amigos muito queridos. Atualmente, ela divide seu tempo entre as atividades de preceptoria aos residentes da Residência Multiprofissional e ainda dá plantões na Unidade de Terapia Intensiva (UTI), faz atendimentos no pós-operatório em cirurgia cardíaca e nos ambulatórios. “Amo meu ambulatório, amo pacientes graves, amo poder ajudar aquela pessoa independente de quem ela seja, ajudar a voltar a vida social e familiar, isso não tem preço”, se emociona contando. É também através de seu trabalho como enfermeira assistencial que consegue se atualizar na área e fazer discussão de caso com seus alunos da residência.
“Tento corrigir na Residência a falha do sistema de ensino”, conta Neyse ao explicar que a função de um coordenador de Residência é mais amplo do que parece: ela tem a função de preparar aquele profissional para atuar na saúde, principalmente pública. Ela relata que muitas vezes os alunos tiveram professores que não atuam na clínica e isso torna o ensino distante da realidade, e a Residência Multiprofissional oferece um contato maior entre as áreas do cuidado, promovendo um cuidado completo. Neyse explica que busca sempre promover o “Raciocínio clínico”, que é o processo usado por profissionais da área da saúde para refletir e planejar o tratamento do paciente, ou seja, a tomada de decisão. Serve para orientar e conduzir da melhor maneira possível o tratamento do paciente. É uma função essencial da atividade dos profissionais da saúde. “Esse é o maior desafio, fazer com que o profissional tenha a capacidade de interligar os conhecimentos e solucionar o caso”.
O raciocínio clínico depende muito da integração entre o conhecimento teórico e o prático do profissional. Por isto, ao aprendiz é fundamental a leitura crítica dos livros acadêmicos, de artigos com evidências científicas, reavaliação constante do aprendizado em sala e muita atenção no campo de estágio e/ou residência. Neyse trabalha e cobra muito de seus residentes o domínio desse campo do conhecimento.
“Tenho muito prazer na minha profissão, amo o que eu faço”, Neyse é sinônimo de amplitude, dedicação e devoção. Seu dia-a-dia é dedicado inteiramente à carreira e ela nunca reclama: ver um paciente de alta e vivendo bem mesmo após cirurgias cardíacas e outros quadros graves a faz realizada.


