Maria da Conceição Câmara Martins é Assistente Social, especialista em Serviço Social. Atuou durante 26 anos na Universidade Federal do Rio Grande do Norte, no antigo Departamento de Pessoal, divisão de Seleção e Aperfeiçoamento (DSA), onde atuava na oferta de Concursos e Treinamentos aos servidores da Universidade. “Cheguei na universidade através do concurso e não tinha vontade de atuar na área da saúde, e sim na área de rh, que sempre foi minha paixão.” Maria da Conceição, ou Ceiça, como é comumente chamada, atuou anteriormente no SESC, onde trabalhava com a área de Recursos Humanos.
Suas competências iam desde o treinamento de adequação funcional – curso para adequar o trabalho que já era feito à nova estrutura da universidade – ofertado aos trabalhadores que já estavam lotados na Instituição, mas não entraram através de concurso;
Deu aula de relações humanas: “o universo conspirou ao favor, sempre tive vontade trabalhar na área de recursos humanos e quando entrei, o departamento precisava de uma assistente social para dar aulas.”
Ceiça estudou Psicologia Social e se qualificou para dominar os conteúdos de relações humanas. Lia muito Pierre Weil – fundador da Universidade da Paz – e diversos conteúdos de Relações Humanas no Trabalho.
Ceiça conta que saia com retroprojetor e tela nos setores de aula para procurar uma sala para dar aulas para os funcionários. Sempre com muito prazer.
Trabalhou para conseguir um espaço na Universidade, e, junto com parceiros, criaram o Centro de Desenvolvimento de Recursos Humanos, que depois virou DDRH.
Nesse centro, foi designada para ser Diretora, ponto em que relata ter muito orgulho em sua carreira, pelo reconhecimento e pela receptividade da Universidade. Coordenava um programa de treinamentos de servidores, através de conteúdos de relações humanas, legislação, direitos e deveres do servidor e métodos de melhor vivência no trabalho.
“Dinamizamos a parte de capacitação, oferecíamos treinamentos introdutórios para os servidores, os apresentávamos a estrutura da Universidade, seus direitos e deveres e promoviamos visitas ao campus”.
Ceiça conta que durante sua atuação na Universidade, foi criada uma Divisão de Assistência à Saúde do Servidor: médicos, dentistas, enfermeiros, assistentes sociais e outros profissionais compunham uma equipe cujo intuito era promover a saúde e bem estar do trabalhador, uma vitória para todos os servidores públicos, que agora contavam com assistência dentro do próprio local de trabalho. Maria da Conceição relembra o grande número de servidores com alcoolismo, e ela participava das reuniões e debates afim de solucionar o problema e ressocializar o servidor.

Foi criada a Comissão do Álcool e Drogas, da qual ela fazia parte, e que era providenciado desde o tratamento com psicólogos, psiquiatras, médicos, e até internação.
O procedimento da assistência social era amplo: visita à família, conversa, encaminhamento ao tratamento, e tudo para tentar relocar ele para a função.
Desde sempre, os Técnicos de Nível Superior lutavam pela valorização. Através de greves, mobilização, envio de ofícios. Ceiça relata que sempre foi politizada e consciente que seu dever é lutar pela coletividade. “Minha formação é voltada para trabalhar e defender os interesses do povo, do coletivo.”
Foi criado o Plano Único de Classificação e Retribuição de Cargos e Empregos [Lei 7.596 10/04/87]. Para Ceiça, que fazia parte de toda a movimentação e luta pelos direitos dos Servidores, foi extremamente importante, pois antes existia somente um quadro geral para todos os cargos públicos federais [PCS – plano de cargos e salários]. Com a chegada do Plano, foi se delimitando as especificidades, afim de um maior reconhecimento de cada função.
Maria da Conceição fez um curso em São Paulo, de Avaliação de Desempenho do Servidor, pois percebeu que ao relatar e transformar em dados o desempenho do Servidor, facilitaria na mensuração da produtividade de um Servidor e aumentaria a visibilidade para buscar pelos direitos.
Ceiça lutou pelo PCCTAE desde a sua chegada na instituição. Sentia que só assim as coisas poderiam fluir para os servidores. Com sua chegada, percebeu de cara o avanço e fez parte de todas elas:
- Implantação do Plano de desenvolvimento de pessoal na UFRN
- Gestão do desempenho
- Levantamento das necessidades, recruta [concurso], distribui e acompanhamento.
- Treinou as chefias para fazer a avaliação de desempenho
- Chamava as chefias, formava turmas e dava treinamentos
- Plano de avaliação de desempenho já era informatizado
- Criou-se uma Comissão Interna de Supervisão da Implantação do Plano [que verificava se estava realmente acontecendo o que se dispunha o plano] – da qual Ceiça participava assiduamente.
“Tivemos muita dificuldade, pois a universidade é um mundo, faltava apoio do Reitor, dos RH, precisávamos batalhar para irmos aos encontros com outras universidades para ver como estava o desenvolvimento do plano em outras IFES”, relembra.
Com a chegada do PCCTAE, sentiu a necessidade de um sindicato exclusivamente para o Nível Superior, para defender os interesses dos profissionais que possuem graduação, afim de corrigir as disparidades salariais.
Ceiça ao longo de sua carreira também:
- Prestava consultoria ao DAS – sobre implantação de um sistema de atenção à saúde do servidor
- Dava assessoria para o DAS para criar um plano de reestruturação do departamento [na questão de pessoal e de áreas de atuação do departamento] redistribuir e redimensionar as ações
“Os dois grandes marcos para o Desenvolvimento dos Recursos Humanos foi a criação do Centro e as duas leis, que causaram maior desenvolvimento da questão de pessoal”.
Antes e depois: Para Ceiça, nos seus 26 anos na Universidade, pôde perceber fortemente as mudanças na valorização do servidor Técnico Administrativo, “antes era “servidor” do verbo servir; depois, a categoria se posicionou e batalhou por esses planos de carreira. Cada um contribui com sua tarefa, não existe o maior nem o menor, fazemos parte de uma instituição que tem o objetivo comum: formação do aluno, e todos nós contribuímos. A atividade fim é o ensino. Trabalhamos na atividade meio, dando suporte para a atividade fim” reflete Maria.
Atualmente, Maria da Conceição Câmara é instrutora de yoga, terapeuta aiuvética, terapeuta heiki, massagista, instrutora de shiatshu, leitora de tarot, mar-terapeuta e dá palestras no Programa Vida com Maturidade. Com esse vasto e belo currículo ela finaliza:
“tudo converge em energia”.


