Com a chegada da pandemia do COVID-19 a sociedade precisou se adaptar a uma nova rotina, a casa virou o novo espaço para os estudos e trabalho. Após o comunicado de isolamento social decretado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, professores, servidores, bolsistas e alunos tiveram que se adaptar a realidade remota para realizar suas atividades. 4 meses depois essa comunidade se pergunta: será que estamos prontos para a volta às atividades presenciais?
A realidade é que essa volta vai muito além do que imaginamos. A forma de deslocamento ao local de trabalho, com quem deixar os filhos enquanto as escolas seguem fechadas, a questão de biossegurança e higiene no trajeto e no próprio ambiente de trabalho precisam ser levadas em conta.
O médico epidemiologista da SESAP/RN, Ion de Andrade, comenta sobre essas medidas: “Deve haver um protocolo de prevenção ao contágio que detalhe o funcionamento de cada departamento de trabalho da universidade, que são muito diferentes uns dos outros. Portanto, diria que há uma grande necessidade de atenção no sentido de que as equipes de cada local possam refletir quais são os protocolos de prevenção, como funcionam, especificamente naquele setor de trabalho, se está aberto ao público, como vai funcionar a medição de temperatura dos usuários na porta, quantas pessoas cabem naquele ambiente que normalmente ficava cheio de gente antes da pandemia, como é a aeração desse ambiente já que tudo deve ser arejado. Esses detalhes devem ser feitos de maneira muito transparente entre a gestão da universidade e as entidades representativas do corpo técnico para que tudo isso seja acertado de maneira consensual.”
Os trabalhadores maiores de 60 anos e portadores de doenças crônicas precisam seguir com o trabalho remoto devido a sua condição pertencente ao grupo de risco. A instituição deve levar em conta todos esses detalhes para que os servidores que voltem ao trabalho presencial não fiquem sobrecarregados. Em reação às medidas de higiene para cada um desses trabalhadores, será necessário o uso obrigatório de EPIs cedidos pela própria instituição.
Doutor Ion afirma que “É necessário decidir quem volta ao trabalho e em que circunstâncias isso acontece, adotar medidas organizacionais adequadas para cada ambiente, contar com a participação de um engenheiro do trabalho, se necessário, para situações de difícil manejo como espaços pequenos ou pouco arejado. É muito importante limpar e desinfetar regularmente o ambiente de trabalho, ter a disposição álcool gel e sabão para os banheiros. É importante que o serviço forneça os equipamentos de proteção individual dos trabalhadores como máscaras ou face shield, dependendo de como são as atividades cada segmento, além de uma vigilância de saúde sempre presente.”
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) traz uma série de recomendações em nota intitulada “Um retorno seguro e saudável ao trabalho durante a pandemia da COVID-19” onde será necessário um diálogo entre os trabalhadores e as organizações para que a sensação de segurança e confiança no retorno ao trabalho se faça presente.
Essas orientações precisam ser seguidas para que a volta ao trabalho presencial seja feita de forma transparente, responsável e segura e que a instituição deve considerar não somente os danos físicos da COVID-19, mas também os psicossociais já que essa pandemia acarreta em um grande impacto psicológico na sociedade.


